
Sentir um “incômodo” ou dor no joelho ao realizar movimentos simples do dia a dia, como subir um lance de escadas ou agachar para pegar algo, é uma queixa muito comum. Embora existam várias causas, algumas são mais frequentes dependendo do seu estilo de vida e idade.
As causas mais comuns
- Síndrome da Dor Patelofemoral (O “Joelho do Corredor”): É a causa número um de dor na frente do joelho em pessoas ativas com menos de 40 anos. A dor surge aos poucos e piora justamente quando dobramos o joelho com carga (como em agachamentos).
- Condromalácia Patelar: Muito associada à síndrome acima, nada mais é do que um amolecimento da cartilagem que protege o osso do joelho (a patela). Os sintomas são praticamente os mesmos.
- Tendinite Patelar (“Joelho do Saltador”): Ao contrário da dor “espalhada” na frente do joelho, aqui a dor é bem localizada, geralmente logo abaixo da “rótula” do joelho. É comum em quem pratica esportes de impacto.
- Desgaste ou Artrose Precoce: Mais comum em pessoas acima de 45 anos. Além da dor ao subir escadas, é comum sentir o joelho “rígido” ou travado logo ao acordar (melhorando após uns 30 minutos de movimento).
- Lesão no Menisco: O menisco funciona como um amortecedor. Com o tempo, ele pode sofrer pequenos desgastes. A dor costuma ser na lateral ou no “meio” da articulação.
Outras causas:
• Síndrome da plica medial
• Tendinopatia do quadríceps
• Osteocondrite dissecante (especialmente em adolescentes/adultos jovens)
• Artrite séptica (improvável sem febre, edema, eritema)
• Fratura por estresse (improvável sem trauma ou dor em repouso)
O que observar e quando se preocupar?
Se você não sofreu um tombo ou batida recente e não apresenta inchaço exagerado, o primeiro passo é observar os detalhes da sua dor para ajudar o especialista no diagnóstico.
Fique atento a estes sinais de alerta: Se o seu caso incluir algum dos itens abaixo, procure um médico urgentemente:
- Febre acompanhada de inchaço e vermelhidão no joelho.
- Joelho “travado” (você não consegue esticar ou dobrar a perna).
- Incapacidade total de colocar o pé no chão ou suportar o peso do corpo.
- Instabilidade grave (sentir que o joelho “vai sair do lugar”).
Assumindo que se trata de uma apresentação ambulatorial sem sinais de alarme (sem febre, sem edema significativo, sem incapacidade de suportar peso), os próximos passos incluem:
História direcionada: Idade do paciente, início dos sintomas (gradual vs. agudo), história de trauma, nível de atividade física, localização exata da dor (anterior difusa vs. localizada), presença de edema, sintomas mecânicos (travamento, instabilidade), rigidez matinal e sua duração.
Exame focado: Inspeção para edema/eritema, palpação da patela e linha articular, teste de agachamento, teste de inclinação patelar, teste de apreensão patelar, teste de McMurray, avaliação da amplitude de movimento e força do quadríceps/abdutores do quadril. [1-2]
Como é feito o diagnóstico?
Na maioria das vezes, o médico consegue descobrir a causa apenas com uma boa conversa e testes físicos no consultório.
- Exames de imagem: Radiografias são mais usadas para quem tem mais de 45 anos (para ver e graduar o desgaste do joelho) além de ajudar a observar o alinhamento desse joelho, e a Ressonância Magnética costuma ser reservada para casos onde existe suspeita de uma lesão estrutural do jolho, como ligamentos, menisco, cartilagem.
References
- Evaluation and Treatment of Knee Pain: A Review. Duong V, Oo WM, Ding C, Culvenor AG, Hunter DJ. JAMA. 2023;330(16):1568-1580. doi:10.1001/jama.2023.19675.
- Patellofemoral Pain: Guidelines from the American Physical Therapy Association. American Academy of Family Physicians (2020).
- Diagnosis and Treatment of Hip and Knee Osteoarthritis: A Review. Katz JN, Arant KR, Loeser RF. JAMA. 2021;325(6):568-578. doi:10.1001/jama.2020.22171.
- Knee Pain in Adults and Adolescents: The Initial Evaluation. Bunt CW, Jonas CE, Chang JG. American Family Physician. 2018;98(9):576-585.
- Septic Arthritis: Diagnosis and Treatment. Earwood JS, Walker TR, Sue GJC. American Family Physician. 2021;104(6):589-597.
