
A decisão de operar uma lesão parcial do LCA depende principalmente de saber se o ligamento ainda está funcionando bem e se o paciente sente instabilidade no joelho. Ou seja, não é apenas a porcentagem da lesão na ressonância que define se precisa ou não de cirurgia.[1]
Indicações cirúrgicas para lesão parcial do LCA:
LCA “não funcional” — A cirurgia pode ser indicada quando existe:[1]
- Instabilidade persistente no joelho, com episódios de falseio ou sensação de que o joelho “sai do lugar”
- Testes clínicos positivos, como Lachman e gaveta anterior
- Falha do tratamento conservador, mesmo após fisioterapia adequada
- Desejo de voltar a esportes com giro, pivô, saltos e mudanças rápidas de direção[2]
Pacientes jovens e ativos têm maior risco de a lesão parcial evoluir para uma ruptura completa do LCA quando tratados apenas de forma conservadora. Por isso, nesses casos, a cirurgia pode ser considerada com mais frequência.[1]
Prevenção de novas lesões dentro do joelho — Quando o joelho continua instável, outras estruturas podem ser sobrecarregadas, principalmente os meniscos e a cartilagem. A cirurgia realizada dentro de até 5 meses após a lesão pode reduzir o risco de lesões secundárias. Estudos mostram que o risco de precisar de cirurgia no menisco medial é duas vezes maior quando a reconstrução do LCA é adiada por mais de 5 meses e até seis vezes maior quando a cirurgia é feita após 1 ano.[3]
Tratamento conservador inicial:
Nas lesões parciais em que o LCA ainda é “funcional”, ou seja, quando não há instabilidade importante, os testes clínicos são negativos ou apenas discretamente alterados, o tratamento inicial pode ser feito sem cirurgia. Nesses casos, o foco é a fisioterapia com fortalecimento, treino neuromuscular, melhora do controle do joelho e retorno progressivo às atividades.[1]
Aproximadamente 50% dos pacientes com lesões do LCA não precisam de cirurgia depois de um tratamento conservador bem conduzido.[4]
Momento ideal da cirurgia:
Quando a cirurgia é necessária, ela geralmente deve ser feita após melhora do inchaço, controle da dor, recuperação da amplitude de movimento e melhora do controle muscular. Muitas vezes, isso exige um período de “pré-habilitação”, ou seja, fisioterapia antes da cirurgia para preparar melhor o joelho.[2]
A American Academy of Orthopaedic Surgeons recomenda um período de 12 semanas de tratamento não operatório para lesões agudas isoladas do LCA, seguido de uma nova avaliação para decidir se a cirurgia será realmente necessária.[3]
Em resumo, nem toda lesão parcial do LCA precisa de cirurgia. A decisão depende da estabilidade do joelho, do exame físico, dos sintomas do paciente, do nível de atividade e dos objetivos esportivos ou profissionais.
Referências
- Management of Partial Tears of the Anterior Cruciate Ligament: A Review of the Anatomy, Diagnosis, and Treatment. Stone AV, Marx S, Conley CW. The Journal of the American Academy of Orthopaedic Surgeons. 2021;29(2):60-70. doi:10.5435/JAAOS-D-20-00242.
- Initial Assessment and Management of Select Musculoskeletal Injuries: A Team Physician Consensus Statement. Herring SA, Kibler WB, Putukian M, et al. Medicine and Science in Sports and Exercise. 2024;56(3):385-401. doi:10.1249/MSS.0000000000003324.
- Anterior Cruciate Ligament Tear. Musahl V, Karlsson J. The New England Journal of Medicine. 2019;380(24):2341-2348. doi:10.1056/NEJMcp1805931.
- Rehabilitation Versus Surgical Reconstruction for Non-Acute Anterior Cruciate Ligament Injury (ACL SNNAP): A Pragmatic Randomised Controlled Trial. Beard DJ, Davies L, Cook JA, et al. Lancet (London, England). 2022;400(10352):605-615. doi:10.1016/S0140-6736(22)01424-6.
- Is Primary Arthroscopic Repair Using the Pulley Technique an Effective Treatment for Partial Proximal ACL Tears?. Liao W, Zhang Q. Clinical Orthopaedics and Related Research. 2020;478(5):1031-1045. doi:10.1097/CORR.0000000000001118.
